Resgate?
Uma pergunta: quando resgatamos algo, pressupomos que iremos resgatar de forma íntegra, completa, idêntica à essência que existiu anteriormente.
Quando lembramos de algo, quando retomamos uma memória. Ela volta idêntica à experiência vivida?
Ela é rememorada fotograficamente igual à vivência prévia?
Podemos falar em resgate de memórias?
Acredito que podemos sim resgatar memórias, no entanto,estas não serão idênticas à experiência vivida, uma vez que, inúmeras informações que chegam e saem de nós a todo momento, gerando segundo o escritor César Guimarães uma confusão nos sentidos.
ResponderExcluirAbaixo, trecho do texto HISTÓRIA, MEMÓRIA E RESGATE
de Carina de Melo, citando César Guimarães:
Em Imagens da memória (1997), o escritor César Guimarães fala sobre uma entropia do sentido. Conforme suas palavras, a desordem no sentido é causada pela acumulação e circulação incontrolável das imagens, o que resulta na saturação – visto que as imagens vêm e vão em um curto espaço de tempo: na medida em que guardam-se novas imagens, outras são instantaneamente esquecidas. Guimarães se refere à imagem também utilizando o seu aspecto polissêmico – imagem como lembrança, inscrita em algum suporte, tornada signo, representação verbal, pictórica, fotográfica, cinematográfica ou videográfica... A partir desta linha de estudo, o autor ainda indaga “Como voltar-se para os signos da memória numa época que tornou impossível a duração?” (p.18) Esta é a razão em virtude da qual, atualmente, tanto se fala em memória, conservação e resgate. O medo de que a colisão de imagens efetue um total esquecimento resulta num desejo incansável de registros.